#27

#27

Opa,

Nossa, fazia tempo que não pintava por aqui... quase dois anos. Esqueci senha, desencanei do blog, mas voltei para falar de mais discos que gosto e que sempre estão na minha vitrola. mesmo que alguns não entendam que gosto é gosto, vamos com algo que tenho escutado direto nesses dias.

HUMAN LEAGUE - Dare! (1981) - A&M

Tendo nascido em 1976, as minhas primeiras memórias musicais rolam a partir de 1980. E esse disco que foi lançado em 1981, sempre faz parte das minhas lembranças. O clima de "modernidade" é visto pelos dois lados do LP, com sintetizadores, bateria eletrônica e melodias únicas que foram poucas vezes superadas pelos grupos de new wave da época. Tudo bem, pode soar datado tudo isso, mas esse disco ganha cinco estrelas justamente porque ainda soa moderno, mesmo estando às portas do ano de 2010, o ano que faremos contato.

Esse foi o terceiro álbum do grupo inglês fundado em 1977. Esse disco marcou uma nova formação na banda, que contou com as belíssimas Susanne Sulley e Joanne Catherall (moças que eu admirei muito nos anos da minha infância). Liderados pelo vocalista Phillip Oakley, fizeram essa obra-prima que definiu o som de muitas bandas que vieram depois. O disco abre com a maravilhosa The Things That Dreams Are Made Of, que é uma daquelas músicas que eu gostaria de ter escrito (os versos "Everybody needs love and adventure/Everybody needs cash to spend/Everybody needs love and affection/Everybody needs 2 or 3 friends" são geniais). Nessa música até três integrantes do Ramones são citados!

Adoro também as músicas Darkness e The Sound Of The Crowd. Mas a força-monstro desse disco é o hino Don't You Want Me?. Duvido que alguém nunca tenha dançado (mesmo que escondido) essa música. Ela tem uma das levadas mais geniais dos anos 80 e a letra, cantada em dueto pelo Phillip Oakley e Joanne Catherall, é o 25ºsingle mais vendido da história da Inglaterra, tendo vendido por volta de 1 milhão e 400 mil cópias. Fora que o single foi lançado no mesmo dia do nascimento da minha irmã: 27 de novembro de 1981! Ah, e o vídeo da música é também genial, e é um daqueles que vejo em sequência.

Depois desse disco, o Human league ainda gravou um EP em 1982 com mais dois clássicos absolutos (Mirror Man e (Keep Feeling) Fascination), mas já não era a mesma coisa. Nunca mais eles conseguiram superar a obra-prima lançada em 1981. Mas sempre que quiser se animar um pouco... pode colocar esse LP na vitrola que o astral com certeza vai ficar bem melhor.

Até a próxima!

Fernando

#26

Olá a todos!

Nem mencionarei o fato de ter sumido daqui no último ano, mas os diversos compromissos me deixaram longe do irmão mais querido do blog do The Jenniffers. E também nem prometerei que postarei sempre, mas espero que o faça... E hoje então vamos retomar o "Melhores Discos" com um LP que tenho ouvido de forma incessante tem uns dois meses. Cortesia do meu pai e da minha mãe...

 THE MAMAS & THE PAPAS - If You Can Believe Your Eyes and Ears (1966) - MCA

Esse é o LP de estréia de um dos grupos vocais mais fantásticos já conhecidos. Quem nunca ouviu uma canção sequer do genial The Mamas & The Papas? Obrigatório em qualquer tipo de coletanea que fale dos anos 60, eu particularmente cresci ao som desse LP, já que meu falecido pai e minha mãe tinham os vinis originais da banda direto dos anos 60. Esse em específico é o mais fantástico.

Lançado em março de 1966 lá fora, o disco mostrou um som genuíno, transparente e delicioso. Fora que a banda tinha a presença da deusa Michelle Phillips (casada com o líder da banda). Bem dentro do espírito da época, ele misturou rock, folk, pop e soul music na medida exata. Graças ao mestre John Williams, o som do grupo era incrível. E esse LP trouxe os maiores hits da banda, as perfeitas Monday, Monday e California Dreamin' que estão em 10 entre 10 coletâneas da época. Mas o disco não é só essas duas canções, e pérolas ainda esperam o devido reconhecimento no LP.

A cover dos Beatles I Call Your Name é cantada de forma peculiar, um tanto quanto diferente dos Fab Four, mas ótima do mesmo jeito que a original. utra cover no álbum, a etérea Do You Wanna Dance? está em outro arranjo, mas ouvi-la é simplesmente uma experiência única.  E entre outras ótimas canções, destaco duas que simplesmente sou apaixonado: a primeira é a genial Straight Shooter, com um vocal coletivo que arrepia e a ótima The "In" Crowd, com o vocal principal da maravilhosa Mama Cass, que deixa no chinelo muita gente da época.

Depois a banda não conseguiu mais fazer um disco que se equiparasse a esse, mas nada que desabonasse o som do grupo. A banda acabou em 1969, e hoje em dia só a Michelle Phillips está entre nós. Mas o que vale é que o som da banda é único, e ainda hoje faz sucesso. E não tem como não ter vontade de dançar depois de ouvir esse LP.

Ah, e na base da curiosidade, a capa desse LP foi proibida na época simplesmente porque aparecia na capa a famosa "privada". É, as edições foram substituídas por outra com uma tarja preta em cima do artefato. Os anos 60 eram isso...

E logo mais tem mais!

Fernando

#25

Vix,

Como demorei para re-aparecer por aqui hein? Quase sete meses de ausência. Mas nesse tempo baixei coisa demais e conheci muitas bandas e músicas que nunca pensei que iria conhecer. Muita coisa boa dos anos 60, 70 e 80. E coisas ótimas nacionais dos anos 70, período quase esquecido pela mídia nacional. Um disco em especial me chamou bastante a atenção, e é de um cara que 95% do pessoal não conhece: Zé Rodrix.

 ZÉ RODRIX - Quem sabe sabe, quem não sabe não precisa saber (1974) - ODEON

Um cara que tocou em vários grupos no final dos anos 60 e começo dos anos 70, cada um deles sem nada a ver com o outro merece grande respeito. Após sair do trio Sá, Rodrix e Guarabira e seu "rock-rural", o cara lançou um disco chamado "I Acto", que é genial. Mas nesse disco aqui, de 1974, ele atingiu uma sonoridade e maturidade musical única.

Ele foi acompanhado pela ótima banda Agência de Músicos, e eles conseguiram passar para o bolachão o que realmente era necessário para se fazer um belo vinil. O disco já começa com a faixa título, para mim um dos melhores títulos de todos os tempos. O naipe de metais é perfeito e o peso da música é mais perfeito ainda. O disco vai correndo e vamos encontrando músicas como Compota de Cereja, Filho Pródigo e a genial Mundo da Vergonha ("só vai ter mais um planeta girando em volta do sol, com a gente dentro dele").

Depois ainda tínhamos a bela Circuito Universitário, Um Rock Para As Futuras Gerações e a fantástica Os Bons Tempos Voltaram (Estão de Volta Outra Vez). Essa última com uma levada incrível e altamente dançante dizendo "é tão legal quando o naipe de metais começa a tocar"... é algo magistral que não sei se alguém já fez parecido aqui.

O disco ainda fecha com a Não Perca O Final / A Roupa Nova Do Rei, mas aí o estrago já está feito. Um belo disco e que acho um absurdo que ninguém o conheça. Bom, a internet está aí para que todos possam se salvar e escutem essa pérola perdida do rock nacional. É mais do que recomendado!

Até a próxima...

Fernando

#24

Opa,

Nossa... como fazia tempo que não aparecia por aqui! Vida corrida e muita canseira me impediram de aparecer, mas prometo que não sumo mais... Nesses últimos meses ouvi N coisas, graças à nossa queria internet, já que virei rato de sites de downloads de músicas. Nessas viagens, consegui escutar algo que só tinha conhecimento por leituras e poucas músicas jogadas em coletâneas. Algo que os mais desavisados não conseguem ligar o nome à pessoa... e algo que é extremamente esquecido - de forma injusta - na música brasileira.

 RONNIE VON - Ronnie Von (1968)

 RONNIE VON - A Misteriosa Luta do Reino do Parassempre contra o IMpério dos Nuncamais (1969)

 RONNIE VON - A Máquina Voadora (1970) (contra-capa)

Isso mesmo, essas pérolas perdidas da música brasileira são obra do grande Ronnie Von. Aquele mesmo que hoje tem jeito de um senhor sóbrio e que é apresentador de programas na TV. O que ninguém sabe é que ele foi capaz de juntar psicodelia, rock, música brasileira, melodias fantásticas e viagens sonoras nunca vistas na nossa música.

Temos que colocar esses discos dentro do contexto histórico da carreira do rapaz. Nos meados dos anos 60, pertencente à classe média, ele fez sucesso com covers e canções ingênuas - longe de serem ruins - que o marcaram como um rostinho bonito na Jovem Guarda. A guinada da carreira dele se fez com a aquisição de uma bela bagagem musical. Na primeira chance de fazer algo que realmente fosse o que gostasse ele gravou um disco que é simplesmente essencial e magistral, o homônimo Ronnie Von, de 1968. Já na capa vemos uma imagem um tanto quanto lisérgica com uma foto dele com o peito nu, rompendo com a imagem que tinha antes.

Para quem ouve o disco, vemos claramente influências de gente como o Frank Zappa - via a inserção Telephone Conversation, do disco We're Only In It For Money - na faixa Anarquia, quando é reproduzida uma surreal conversa pelo telefone. Também é clara a influência do The Who - na abertura com o jingle do Bar Íris, já visto coisa parecida no The Who Sell Out - e do Jimi Hendrix - com as guitarras fantasticamente distorcidas e pesadas - na genial Silvia: 20 Horas, domingo. Mais músicas marcam o LP: Espelhos Quebrados, Tristeza Num Dia Alegre e Canto de Despedida.

O público acaboou não entendendo, e para as fãs, que esperavam um disco parecido com os anteriores foi um choque extremo. Mas fazendo algo autêntico e que sempre quis fazer, ele continuou com essa fase experimental. O próximo LP, também de 1969, nos trouxe músicas como Atlândida - cover da Atlantis do Donovan e co-escrita pela Rita Lee - Dindi, a genial De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-me De Volta A Alfa de Centauro, Meu Verdadeiro Lar, Por Quem Sonha Ana Maria e a versão do Stevie Wonder, My Cherie Amour.

De novo sendo um fracasso comercial, ainda tivemos o lançamento do ótimo A Máquina Voadora em 1970, já demonstrando que aquele poderia ser o último LP da, digamos assim, "trilogia" psicodélica do Ronnie. Com músicas geniais, esse é diferente dos demais, e mostra ainda uma ótima forma. Músicas como A Máquina Voadora, Continentes E Civilizações (bem parecida com a Atlantis já mencionada), Tema De Alessandra, a genial e fantástica Viva O Chopp Escuro e a ótima O Verão Nos Chama são mostras que o disco é indispensável.

Pena que depois ele tenha visto que com tantos fracassos de público não adiantava fazer mais discos assim e tenha abandonado essa vertente. "Nunca mais fiz discos que gostei, só os gravei para cumprir contratos", disse Ronnie alguma vez por aí. Uma pena, e mais pena ainda saber que discos como esses não possuem o lugar que merecem na história do rock nacional. Acredito que nem os Mutantes tenham feito discos parecidos com esses...

Baixem... sem dó nem piedade, e verão que esses LPs são absurdamente geniais...

Por hoje é só...

Fernando

#23

Fala pessoal!

Bom, de novo sumi por um tempo, mas em caráter extraordinário re-apareço por aqui para falar sobre a parte final da trilogia 'bandas que me fizeram querer ter uma banda'. As duas primeiras já estiveram aqui no MELHORES DISCOS, o Guns (com o Appettite for Destruction) no post #12 e o Nirvana (com o genial Nevermind) no post #21. Agora aproveitando a presença histórica deles no Brasil, vamos com a terceira banda...

 PEARL JAM - Ten (1991) - Epic

Na época do lançamento do disco, eu estava dos meus 14 para os meus 15 anos, e tudo o que fosse legal teria influência direta sobre o que vos escreve. Já curtia o bom e velho rock and roll, mas todas as bandas que eu gostava já tinham atingido seu ápice faz tempo. Então, depois do primeiro disco do Guns e da bomba lançada pelo Nirvana no Nevermind, eu consegui assimilar esse disco da banda 'que era do mesmo lugar do Nirvana' de uma forma assustadora.

Já curtindo e ouvindo o Nevermind até o meu disco furar, fui numa festinha na casa de uma amiga. Ela tinha acabado de chegar dos EUA e me mostrou algumas coisas que tinha adquirido na viagem. Entre muito lixo, estava esse CD, com uma capa belíssima e que me chamou bastante atenção. Lá mesmo fiquei com a curiosidade de escutar o que aquela banda nova tinha para mostrar...

E foi ali mesmo que viajei, logo na abertura do disco, com a fantástica Once, vi que aquilo era a deixa que faltava para eu querer ter uma banda e querer mais ainda tocar bateria. A festa foi deixada de lado para que eu ficasse ouvindo nota por nota aquele CD.

Bom, esse é um dos discos que acabaram virando praticamente uma coletânea, graças ao número de canções que fizeram sucesso. Músicas como Even Flow, Alive, Black, Jeremy, Oceans e Porch viraram músicas tema da melhor época da minha vida, entre o final de 1991 até meados de 1994. Logo depois disso já montei a primeira banda da minha vida, com o esdrúxulo nome de Testículos Terapêuticos (é, o nome é horrível, mas dêem um desconto vai... só tínhamos 15 anos!), mas isso já é outra história.

Esse é um dos maiores discos da história do rock e uma das maiores estréias também. Muita porrada e melodias geniais que fizeram a cabeça de muita gente da minha idade na época. Todos capitaneados pelo carismático Eddie Vedder, que com seus trejeitos e tiques, deixavam os poucos clipes da banda como fonte de muitos vocalistas daquele tempo.

E o melhor ainda é ter visto tudo isso nos últimos dois e três de dezembro aqui no Pacaembu. Ver todas as pessoas da minha geração se emocionando com tais clássicos é um momento único. E ter a chance de ver um show do Pearl Jam é um momento histórico e que com certeza vai ficar guardado para sempre...

E só queria ter falado para eles o tamanho da influência que eles tiveram na minha vida, mas aí já é querer demais né?

Até a próxima,

Fernando

#22

E aí povo?

Por falta de tempo, correria no serviço e estar sem compitador em casa demorei muito para voltar aqui. Mas hoje faço em grande estilo, e com algo que está sempre tocando na minha vitrolinha, sem cansar em nenhum momento.

  MONKEESMusic Box (2001) - Rhino Records

Para quem não manja, ou só fica nas manchetes de jornais, os MONKEES foram uma banda fake e sem nenhuma autonomia musical. Tsk, tsk, isso é um grande engano!!! Eles foram a maior banda pré-fabricada da história do rock, e se tornaram maiores ainda quando conseguiram tomar as rédeas da sua carreira, fazendo álbuns fantásticos.

Michael Nesmith, David Jones, Peter Tork e Micky Dolenz eram os quatro figuras que foram contratados para uma série de TV e que dublariam algumas canções para a trilha desse seriado. Nem preciso dizer que tanto o seriado quanto as músicas possuem um lugar de destaque quando falamos de anos 60. A série durou duas temporadas - a primeira foi premiada com o Emmy de 1967, na categoria melhor série cômica - e ainda hoje é atemporal, com seu humor cáustico e suas músicas geniais.

Os dois primeiros discos (The Monkees e More From The Monkees) foram basicamente fruto de canções de colaboradores ótimos, como Goffin/King, Neil Diamond e Boyce/Hart. A partir do terceiro disco, Headquarters, os caras começaram a dar as caras na produção e composição das músicas. Depois disso, dois álbuns espetaculares, Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones e The Birds, The Bees and The Monkees mostraram que eles não tinham vindo para brincadeira. Os dois são um exemplo de produção e perfeição em certas músicas.

Depois disso a banda foi levando a vida com alguns probelinhas internos até causar a dissolução do grupo em 1970. Algumas reuniões posteriores mostraram que eles nunca esqueceram todo o clima e sentimento dos anos 60.

Essa caixa lançada em 2001 nos dá uma bela noção de toda a carreira do grupo. Com um belo livreto e acabamento especial, os quatro CDs, deixam claro e mostram que eles possuem um lugar de destaque na história do rock. Fica aqui um set list para que vocês possam começar a curtir esses carinhas:

  1. (Theme From) The Monkees
  2. Take A Giant Step
  3. Sweet Young Thing
  4. I'm A Believer
  5. (I'm Not Your) Steppin' Stone
  6. She
  7. Look Out (Here Comes Tomorrow)
  8. All Of Your Toys
  9. Forget That Girl
  10. You Just May Be The One
  11. For Pete's Sake
  12. Pleasant Valley Sunday
  13. Words
  14. The Door Into Summer
  15. What Am I Doing Hangin' Round?
  16. P.O. Box 9847
  17. Auntie's Municipal Court
  18. Porpoise Song
  19. Circle Sky
  20. Listen To The Band
  21. Heart And Soul

Quem tiver a chance pode correr atrás que vale a pena... e toda quinta-feira às 20 horas, no Canal 21 aqui em São Paulo está passando a reprise do seriado dos caras. Tudo devidamente gravado pelo que vos escreve.

Espero que em breve tenha mais dicas...

Falows

Fernando

#21

Fala pessoal!

Pode parecer chavão ou até mesmo lugar-comum, mas hoje posto aqui algo que nunca sai da minha vitrolinha. Um disco que definiu os parâmetros da 'grande máquina' musical por um bom tempo e que plantou a semente (inclusive em mim) da criação de uma banda em muitos garotos no início dos anos 90. A última grande impacto no rock. Depois disso, e até hoje, o que nos resta é a acomodação...

 NIRVANA - Nevermind (1991) - Geffen

Chris Novoselic, Dave Grohl e Kurt Cobain. Baixo, bateria e guitarra e nada mais. Essa foi a formação da banda que mudou os rumos do rock nos idos de 1991. Até o final dos anos 80, o rock conseguiu perder muito da sua força e não tinha muito a dizer. Nessa época o Guns foi o responsável pelo primeiro (e essencial) sopro de vida do ritmo já trintão, com seu Appetite for Destruction, lançado em 1987.

Mas o rock precisava de algo mais, algo que voltasse às suas origens e que mostrasse ao mundo que ainda tinha algo a dizer. Por mais que muita gente não ache, os responsáveis para que o rock voltasse aos trilhos foi REALMENTE o Nirvana. Com o disco Bleach, lançado em 1989, eles já mostraram um potencial fantástico. E em dois anos eles conseguiram o cacife suficiente para se tornarem porta-vozes de uma geração toda, a minha geração, com o clássico absoluto Nevermind.

Escutei pela primeira vez uma música desse disco em novembro de 1991, na 89 FM, que rolava direto o hino Smells Like Teen Spirit. No alto dos meus 15 anos, vi que aquilo era totalmente diferente do que rolava na época (dominada por Erasure e New Kids). A primeira vez que vi uma imagem dos caras, foi acho que na mesma semana também, num vídeo da Territorial Pissings no Programa livre (com direito a cabelo vermelho do Kurt e tudo). Com um misto de surpresa e adoração, me coloquei em busca de saber quem eram aquele tal de Nirvana...

Consegui encontrar uma locadora de CDs (que eram muitíssimo comuns na época aqui em SP) com um Nevermind em versão importada. Posso garantir que durante o dia todo, escutei aquele CD até gastar, e vendo que aquilo era o que queria como futuro (ainda tenho a fita que gravei aquele dia até hoje). Música após música, clássico após clássico, já dava para perceber que aquilo já fazia parte da história do rock.

Esse disco é um daqueles que vira uma coletânea depois de algum tempo. E é o melhor e maior disco dos anos 90. Começando pela Smells Like Teen Spirit, que se tornou um hino da molecada naqueles tempos, In Bloom, com seus dois clips geniais, a maravilhosa Come As You Are (que foi assassinada pelo monstro do pântano Caetano), Breed, ideal para abrir uma roda e fecha o lado com a magistral Lithium e a lírica Polly.

O lado B, um tanto quanto mais obscuro comercialmente mas tão bom quanto o lado A também é obrigatório: já abre com a nervosíssima Territorial Pissings, e chega numa das melhores sequências de músicas 'desconhecidas' que já vi em um disco... Drain You (uma das preferidas da casa), Lounge Act, Stay Away (que se chamava Pay To Play), uma das músicas dos anos 90 On A Plain e termina o disco de uma forma etérea e acachapante, com a auto-biográfica Something In The Way.

Com esse disco eles conquistaram o mundo, e depois ainda lançaram o In Utero (muito subestimado, mas um álbum excepcional) e o absoluto Unplugged In New York, que ensinou a todos como se fazer um 'acústico' de verdade. Vi muitas vezes entrevistas, shows (até a clássica apresentação no VMA de 1992, ao vivo!), e perdi o show deles no Morumbi em 1993.

E no dia que o Kurt Cobain se matou ainda estava discutindo na escola a importância do cara para a história do rock, até parece que eu sabia.

E tem muita gente que ainda não gosta dos caras. E os meus amigos na época não curtiam o Nirvana, e achavam que o Mr.Big (!!) significaria muito mais para a história do que o trio de Seattle. É, o tempo é o senhor das coisas...

Pena que muitos grupos não aprenderam nada com os caras e continuam tocando músicas bundas e um rock (rock?) pasteurizado e sem nenhuma atitude. Pena... pena mesmo...

Bom, por hoje é só

Até mais

#20

Opa...

Essa semana escutei bastante uma banda que fazia tempo que não ouvia direto, e que não é muito manjada aqui no Brasil. Acho que é uma das poucas bandas que conheço que devo gostar de pelo menos 98% das músicas. Pena que a formação original acabou por causa de um infeliz acidente aéreo quando eu tinha apenas um ano de vida... mas seu legado está aí até hoje:

 LYNYRD SKYNYRD - Pronounced Leh'-nerd Skin'-nerd (1973) - MCA.

Um dos maiores expoentes do Southern Rock, o Lynyrd foi formado no comecinho dos anos 70, e tinha na sua formação além do grande vocalista Ronnie Van Zant, Bob Burns na bateria, Gary Rossington na guitarra, Allen Collins também na guitarra, Ed King no baixo (que já havia tocado no Strawberry Alarm Clock, com o hit 'Incense And Peppermints' nos anos 60) e Billy Powell no piano. Em 1971 gravaram o single I Ain't The One, e logo depois assinaram com a MCA e logo de cara já gravaram esse disco que para mim tem mpusicas mais do que magistrais.

O "Pronounced..." tem uma sequência matadora de clássicos, que fizeram o LP virar uma coletânea. Começando pela própria I Ain't The One, o disco chega na belíssima balada Tuesday's Gone (regravada pelo Metallica no 'Garage...') e posso garantir que essa é uma das músicas que me fazem ter vontade de chorar... Chega depois da Gimme Three Steps e passa por outra do mesmíssimo naipe da Tuesday's Gone, a bela Simple Man. Essa música tem uma letra genial e que mexe lá no fundo da alma... não tem como não se emocionar.

O lado 2 vem a trinca poderosa de Things Goin' On - Mississipi Kid - Poison Whiskey e termina com uma das melhores canções e letras dos anos 70 a fantástica Free Bird. Uma música que fala coisas como "Cause I'm free as a bird now, and this bird you cannot change", merece um lugar de destaque na história.

Depois desse disco eles fizeram discos tão melhores quanto esse de estréia... Abrindo shows para o Who e para os Stones nos anos seguintes e cada vez mais buscando as raízes country americanas. E na turnê do quinto disco de estúdio, o Street Survivors (1977), um acidente de avião tirou a vida do vocalista Ronnie Van Zant, do guitarrista (que tinha entrado na banda em 1976) Steve Gaines e da sua irmã, a backing vocal Cassie Gaines.

No filme 'Free Bird', que mostra o show deles em 1976, abrindo para os Stones, tem imagens gravadas no avião que acabou caindo. A hora em que essas cenas são mostradas, e tocando Simple Man de fundo é algo extremamente triste...

Depois eles voltaram à ativa nos anos 90 e 2000, mas nada que se compare ao que fizeram nos anos 70... pena que ninguém por aqui conheça direito esses caras, eles merecem!

A dica de hoje é essa.... enjoy yourself...

Até mais

Fernando

#19

Fala povo!

Nossa... depois de mais de um mês sem postar nada (que vergonha), apareço aqui com uma dica das mais preciosas e das mais interessantes, pois ninguém conhece direito esse LP, embora a banda seja mais do que conhecida. Um disco que não me canso de escutar e um dos maiores exemplos de letras auto-biográficas que já vi.

 THE WHO! - The Who By Numbers (1975) - MCA

Um dos melhores discos do The Who é esse: The Who By Numbers, lançado em 1975 e que muitos, mas muitos fãs consideram um dos mais fracos discos do quarteto de Sheperd's Bush. No mínimo uma heresia e um absurdo... aqui temos belíssimas canções com letras que nos fazem pensar sobre a nossa vida.

Quando o Who! lançou o disco Quadrophenia, em 1973, cada um dos integrantes meio que seguiu para um caminho diferente dos demais, após ficarem quase 10 anos sempre juntos: o Roger Daltrey foi cuidar da sua carreira solo por um momento (aonde lançou os ótimos discos Daltrey de 1973 e Ride a Rock Horse de 1975). O John Entwistle foi também cuidar da carreira-solo e fuçar alguns singles do Who! para uma coletânea que foi lançada em 1974, Odds And Sods. Já o Keith Moon ficou bundando e se deprimindo por ter ficado sozinho, mas também e com uma ajuda dos seus amigos gravou o espetacular Two Sides Of The Moon em 1975.

Enquanto tudo isso, o Pete Townshend ficou numas de se esconder de tudo e de todos, e sem nenhuma aparição relevante, entrou numa fase complicada de sua vida, em que a depressão tomou conta de tudo. Mas como a máquina não podia parar, nesse meio-tempo de dois anos, ele passou escrevendo canções mais do que auto-biográficas, que mostravam todos os seus sentimentos naquela fase complicada da sua vida.

Talvez seja por isso que esse LP é tão verdadeiro e sincero. E devo admitir aqui que não é um disco fácil de se assimilar não. Eu mesmo quando o escutei pela primeira vez, no alto dos meus 14 anos, curti só duas músicas. Acho que só vim a curti-lo por inteiro quando comcei a entender o que ele estava dizendo.

Basicamente o disco, que funcionaria perfeitamente bem como uma provável 'ópera-rock' fala sobre um roqueiro de meia-idade, que está começando a envelhecer, e passa as noites vendo programas de rock na TV, enchendo a cara de gin, observando sua carreira, seu amor pela música e o medo que tudo aquilo pode estar acabando.

Bom, nesse LP o Pete abriu mão da utilização de sintetizadores, que já vinham aparecendo desde 71, e deixou a coisa bem no velho esquema Who! de guitarra-bateria-baixo-vocal potente. O disco começa com a linda Slip Kid (que chega à conclusão que "There's no easy way to be free"), passa pela However Such I Booze, chega no single do álbum Squeeze Box, e termina o lado A de forma brilhante com a dobradinha Dreaming From The Waist - Imagine A Man.

O meu lado preferido é o lado B  que começa com uma das melhores músicas do John Entwistle, Success Story, que justamente fala da decadência de velhos ídolos, tem depois a They're All In Love, a bela canção (só com a voz do Pete e um banjo) Blue, Red And Grey até chegar (para mim) no melhor exemplo da situação que o Pete estava passando na época, a música How Many Friends. Só pelo título já dá para perceber o tipo de indagção que ele está fazendo, e com a primeira estrofe vemos isso claramente:

I'm feelin' so good right now, there's a handsome boy tells me how I changed his past
He buys me a brandy, but could it be he's really just after my ass?
He likes the clothes I wear, he says he likes a man who's dressed in season
But no one else ever stares, he's being so kind, what's the reason?

How many friends have I really got?
How many friends have I really got?
How many friends have I really got?
That love me, that want me, that'll take me as I am?

O resto da música vai na mesma toada, e sem dúvida nenhuma é uma das mais belas canções já escritas e tocadas por alguma banda. Típica da série "Essa eu adoraria ter escrito". Com o grande Nicky Hopkins no piano, o baixo perfeito do Entwistle, o vocal magistral do Daltrey, a bateria que nem precisa de ajdetivos do Keith Moon e a letra e a base de guitarra genial do Pete, essa é uma das canções que me deixam com vontade de chorar.

O LP ainda termina com a maravilhosa In A Hand Or A Face, e com ela o estrago já foi feito...

Depois disso ainda tivemos a turnê gloriosa do Who! em 75-76, a última com o Keith Moon, e em 78 ele morreria, deixando milhões de fãs órfãos, mas aí já é outra história!

Abraços

Fernando

#18

Opa...

Ainda me recuperando do Live8, que aconteceu no último sábado, vi que quase todas as bandas atuais estavam por lá. Quase, pois faltaram duas das melhores bandas dos últimos dez anos: Pearl Jam e Foo Fighters. Vou falar da primeira oportunamente, porque hoje é dia de falar sobre um dos discos mais fantásticos já gravados nos últimos quinze anos e que comemora dez anos de lançamento esse mês.

 

FOO FIGHTERS - Foo Fighters (1995) - Roswell Records

Já gostava do cara na época do Nirvana, em que ele tomava conta (e muito bem) das batidas do grupo. Logo após o suicídio do Kurt Cobain, os outros dois integrantes da banda trilharam caminhos opostos: o Kurt Novoselic seguiu por trilhas estranhas e em pouco tempo sumiu do mapa, mas com o ex-baterista Dave Grohl a coisa foi diferente.

Ele já tinha começado a dar suas escapadas assumindo os backing vocals do Nirvana. E pouco de um ano depois da morte do Kurt, ele lançou essa obra toda composta-produzida-gravada e tocada por ele mesmo. Tenho a plena consciência que esse é um dos dez melhores discos dos anos 90 e uma das melhores estréias já feitas por qualquer banda. Esse disco, desde a época do lançamento, nunca saiu do meu aparelho de som.

O disco já praticamente virou uma coletânea hoje em dia. O CD começa já com um clássico inquestionável: This Is A Call (que sempre pintava nos show do Jenniffers em Bauru). Depois era porrada atrás de porrada com I'll Stick Around e seu belo clip; Big Me, música que tocamos até hoje e também com um clip mais genial ainda; Uma das preferidas da casa, a fantástica Alone + Easy Target que diz "Crazy TV dreams might be true/Not what it seems"; Good Grief e a belíssima Floaty, com sua dualidade de lirismo e porrada ao mesmo tempo.

Até o final dos disco ainda tem mais pauleira: Weenie Bennie, Oh, George, For All The Cows (mais uma das preferidas) e a trinca final para fechar com chave de ouro X-Static, Wattershed e Exhausted.

Depois ainda eles alcançaram um lugar cativo no olimpo do rock com mais álbuns fantásticos como o The Colour & The Shape, There's Nothing Left To Loose e One by One. Mas ainda prefiro, por pequena vantagem, o primeiro.

E tem muita gente que conheço que fala mal do cara, dizendo que ele é o Chorão (do horrível Charlie Brown Jr) americano. Tsk, tsk... comparar o Dave Grohl com esse cara é, no mínimo, um grande desconhecimento. Eu bato palmas para ele, não é qualquer um que toca na maior banda de sua era, e depois faz um puta sucesso também em outra banda...

Por hora é só... depois tem mais!

Abraços

#17

E aí, povo!!!

De novo, lendo mais uma notícia sobre o Live 8, tive a inspiração de escrever sobre um disco que conheci há algum tempo, tudo por causa de gostar e considerar o The Who! uma das maiores bandas da história. Não, não é sobre eles que falarei hoje, e sim sobre o primeiro disco solo do dono de uma das mais belas vozes da história do rock.

 

ROGER DALTREY - Daltrey (1973) - MCA

Isso mesmo, estou falando do magistral Roger Daltrey. No ano anterior, o Pete Townshend foi o primeiro membro do Who! a lançar um álbum solo. Naturalmente em seguida todos os outros integrantes também resolveram lançar os seus. Eu considero esse disco uma pérola perdida da música pop, o álbum todo possui um lirismo impressionante, e o Daltrey consegue diversificar seus vocais de uma forma inigualável, já que o disco segue num rumo totalmente diferente dos discos do Who!.

O disco abre com a One Man Band, que possui um ritmo marcante e poderia ser muito bem uma música escrita pelo Paul McCartney. Logo em sequência vem um dos pontos altos do LP: You Are Yourself mostra um vocal extremamente potente, numa balada fantástica e com um quarteto de cordas afinadíssimo. O sentimento é o mesmo quando a gente escuta a próxima música, Thinking, que segue numa levada mais rocker e é a canção que chega mais perto do estilo-Who! do Roger. O lado A fecha com a You And Me, uma das preferidas da casa.

O lado B começa com uma bela dobradinha: Hard Life e Giving It All Away, essa em especial é uma daquela que pertence a série "Músicas que eu gostaria de ter escrito". Logo após tem a bela The Story So Far, a maravilhosa When The Music Stops, que nos leva de volta ao renascentismo com todos seus elementos, e chega na magistral Reasons, que possui um dos mais belos refrões que já ouvi: "Well I pick up my life and I turn and walk away/I pick up my life and live for every day". Genial!

Eu comprei esse LP nos idos de 98 ou 99, perdido num dos sebos do centro de SP. Importado, capa dupla, e a foto que ilustra a parte de dentro é uma das mais belas fotos que já vi em um disco. Já vale o preço só por esse motivo. se você encontrar essa preciosidade por aí, COMPRE, mesmo que estiver sem grana dê um jeito e adquira o LP... Recomendadíssimo por esse que vos escreve!

Por hoje é só, até o próximo LP...

Abraços

#16

Fala pessoal!

Essa semana postei algo lá no blog do Jenniffers que me interessou muito. O Pink Floyd fará uma apresentação única, com sua formação original, no evento Live 8, que será realizado em julho. Mais do que fantástico, será um momento histórico, pois desde 81 eles não tocam como quarteto.

Adoro Pink Floyd, e dois discos em especial fazem parte da minha listinha de preferidos. Faço questão de recomendar os dois hoje, já que para mim, poderiam ser um disco duplo, tamanha a semelhança entre as faixas.

 

PINK FLOYD - The Piper At The Gates Of Dawn (1967)

 

PINK FLOYD - A Saucerful os Secrets (1968)

Fácil falar sobre uma das bandas de maior sucesso mundial. Fácil falar que ela começou como uma banda de blues, mas aos poucos foi mudando seu estilo até chegar nessa mistura de viagens de ácido e rock psicodélico. Fácil falar que muito disso (senão tudo) foi feito por causa de um cara: Syd Barrett.

Aqui fica para mim, o diferencial entre esses dois primeiros discos do Pink Floyd, e os discos do restante da carreira do grupo. Enquanto o mundo reconhece dentre os melhores dos caras os discos Atom Heart Mother, Wish You Were Here (com a música tema tendo sido composta em homenagem ao Syd) e o genial Dark Side Of The Moon, eu acredito que esses dois devem ser levados, e muito, em consideração. Temos momentos de imensa beleza e composições magistrais que podem ser encontradas aqui.

Antes de mais nada, o Syd Barrett era um cara que levava a sério o mote "Chapar até cair". O cara experimentou tudo o que era possível na época, tanto que o resultado de tanta piração está aqui. No disco The Piper At The Gates Of Dawn, o Floyd já mostrava de cara ao que vinha no cenário musical. Abrindo o disco com a fantástica Astronomy Domine, falando sobre coisas do mal em Lucifer Sam, passando pela linda Matilda Mother e pela etérea Flaming. A Interstellar Overdrive era um show à parte: sons viajantes, baixo vibrante e a certeza de que não estamos sós no universo.

O disco vai chegando no final passando por uma música que adoro: The Gnome ('I want to tell you a history, about a little gnome, stays in the home'), e uma trinca final fantástica Chapter 24, Scarecrow (uma das preferidas da casa) e Bike.

Esse Lp era um retrato das viagens do Syd Barrett, mas pena que tanta chapação o tenha deixado pirado. Em virtude disso, no segundo disco, A Saucerful os Secrets, ele foi susbstituído na banda pelo David Gilmour, deixando e formando o quarteto clássico do Floyd. Mesmo assim, no segundo álbum há uma contribuição solitária do Syd (Jugband Blues). E as outras canções mostram uma influência fortíssima do estilo Syd Barrett na banda.

O álbum tem duas viajeiras do Roger Waters: Let There Be More Light e Set The Controls for the Heart Of The Sun, uma levada forte de baixo e guitarra na Corporal Clegg (outra das preferidas da casa), passa pela A Saucerful of Secrets e See-Saw e para mim, nesse disco temos uma das melhores músicas da carreira do Pink Floyd: Remember A Day. O supra-sumo de composição pop, e uma daquelas que sempre me faz bem.

Adoro os álbuns dos anos 70, mas como virou lugar comum falar bem deles, recomendo que escutem esses, pois merecem um lugar de destaque na nossa galeria!

Abraços e até a próxima dica

Fernando

(Post #15, Ano I)

Finally!

Agora sim, reestabelecido das férias, prometo que voltarei em definitivo pro MELHORES DISCOS. Estava com saudade de escrever por aqui, e o que mais tenho pra fazer é falar logo de um disco certo?

Hoje posto algo que tenho ouvido direto há muuuuito tempo, e que considero uma das melhores obras do quarteto de Liverpool. A trilha sonora do filme que consolidou a gênese da MTV (quando passava clips) e dos próprios video clips:

 THE BEATLES - Help! (1965) - EMI

É gente, tudo começou aqui: Video-clips, MTV, etc, etc, etc... O pontapé inicial dos Beatles no cinema foi o filme A Hard Day's Night (1964), no qual se mostrava o dia-a-dia Beatle, e toda a histeria que acontecia em volta dos 4 rapazes de Liverpool. Mas com o filme Help! de 1965, eles consolidaram de vez sua posição de destaque no mundo do cinema.

A história gira em torno das várias tentativas de uma seita abordar os Beatles, em especial o Ringo, para pegar de volta o 'anel do sacrifício' que eles dizem que os pertence. A partir daí, inúmeras situações são criadas, todas logicamente em que os Beatles se dão melhor...

Já acho o filme interessantíssimo por si só, mas a trilha sonora dele é especial. (Vale registrar que a trilha saiu nos EUA de forma diferente do que saiu no resto do mundo. O pior é que já tive a chance de comprar o vinil original com a trilha americana, mas não o fiz. Se arrependimento matasse...). O lado A do disco contém as músicas que estão no filme, e o lado B o que sobrou das gravações da época.

Tudo começa com a própria Help! , uma das únicas três canções em que o John Lennon realmente cantou o que ele sentia. E cantou muito bem, pois podemos sentir que ele estava mesmo mal. Logo depois tem uma das minhas preferidas all-time dos caras The Night Before. Passa pela lírica You've Got To Hide Your Love Away, com um vocal do Lennon que faz arrepiar. Passa pela homenagem do George para a linda Patti Boyd (que acabou virando Patti Harrison), a magistral I Need You. Depois tem mais uma que eu sempre quis escrever Another Girl, com sua letra anti-bonitinha (essa eu fiz questão de aprender o baixo...). Fechando o lado A com mais dois clássicos: You're Gonna Lose That Girl, que adoro, e a classicaça Ticket To Ride.

O lado B também tem momentos fantásticos, começando pela divertidíssima Act Naturally, com vocais do Ringo. Passa por uma que o John odiava, mas que eu adoro, It's Only Love. Uma trinca de cações menos conhecidas mas ótimas, muito boas, e que não são muito lembradas para quem não é um grande fã: Tell Me What You See, You're Like Me Too Much e I've Just Seen A Face (o Paul toca essa no seu Acústico). O final do LP é magistral, com a inigualável Yesterday, que é a música mais tocada até hoje na história do rádio e a música com maior quantidade de covers já gravada. E finaliza com o último cover gravado pelos Beatles na carreira, Dizzy Miss Lizzy.

Eu tive o prazer de asistir esse filme do Centro Cultural Banco do Brasil, no ano passado. Isso ainda com a cópia original, meio rosada e com o som meio fora de sincronia... Mas tudo bem, fiquei mais do que feliz de poder assistir isso no cinema, e com a cópia da época pude me sentir em 1965 mesmo

Sempre escuto Beatles, mas esse disco em especial tem tocado bastante na minha vitrolinha nos últimos meses... fica a dica para vocês.

Abraços e até mais

Fernando

(Post #14, Ano I)

Aê povo!

Depois de um mês sem dar as caras por aqui, em virtude das minhas gloriosas férias, posto aqui uma dica para quem quiser abrir uma roda por aí e começar a dar porrada nos seus amiguinhos. Algo que faz bem para a alma e para o corpo, sempre.

 DEAD KENNEDYS - Fresh Fruit For Rotting Vegetables (1980)

Com certeza essa é a maior banda do cenário punk norte-americano: Dead Kennedys. Jello Biafra, o líder da banda, com sua postura extremamente crítica e falando mal de toda a hipocrisia dos EUA, marcou época. Vale registrar que todos os discos da banda foram gravados a lançados pela gravadora deles mesmos, a Alternative Tentacles. Por isso que tinham voz ativa no meio musical.

Esse disco, lançado em 80, foi a estréia da banda. Considero ele, simplesmente perfeito! Todas as canções, de uma forma ou de outra, são clássicos punk, e suas letras permanecem mais atuais do que nunca. O vinil (que possuo na minha coleção, e guardo num lugar especial) era branco (!!), com um encarte magistral.

O lado A começa com a porrada Kill The Poor (com seus versos Efficiency and progress is ours once more / Now that we have a neutral bomb), vai até a crítica fudida aos donos de terra na Let's Lynch The Landlord, passa pela Drug Me e termina o lado na fantástica Chemical Warfare (Panic in the air, see the headless chickens running é uma das frases mais geniais da música).

O lado B vem com o hino California Uber Alles, passa pela I Kill Children, chega na Stealing People's Mail até terminar magistralmente com a Holiday in Cambodja e na perturbada cover de Viva Las Vegas, do Elvis.

Acredito que seja um dos maiores registros punk da história... obrigatório para quem curte uma boa porrada!

Até mais

Fernando

(Post #13, Ano I)

Fala!

Nos últimos tempos eu li um livro fantástico chamado 'Confissões de uma groupie', da Pamela Les Barres. Ela era figurinha carimbada nos camarins roqueiros dos anos 60 e 70. Uma bela leitura, que me remete a todas aquelas bandas de rock and roll de verdade, só com integrantes mulheres. Com muita atitude e encarando toda a cena do rock, um tanto quanto machista, elas garantiram um lugar de destaque com seu estilo. E além disso, abriu as portas para todas as bandas que vieram nos anos 80 (Go-Go's, Bangles, Girlschool, etc...).

Hoje, a dica vai para três discos mais do que essenciais de mulheres de atitude. Notem que esse tipo não se encontra mais hoje em dia, só em produções fake e sem punch nenhum, que pena. Todas garotas abaixo são dignas de casamento...hehe:

 SUZI QUATRO - Suzi Quatro (1974)

Falar de Suzi Quatro é fácil: Linda, uma atitude extremamente rock and roll, bela baixista e pioneira no hard rock feminino. Precisa mais? esse disco é espetacular, tenho ele em vinil e sempre toca na minha vitrolinha. Músicas como Glycerine Queen, Can The Can, Shine My Machine e o hino 48 Crash são obrigatórias em qualquer coletânea dos anos 70 que se preze. Hoje em dia não se fazem mais mulheres que nem ela...

Espetacular capa da revista Rolling Stone de 1975. Simplesmente perfeita!

 THE RUNAWAYS - Queens of Noise (1977)

Bom, Runaways então... é covardia: Com a trinca Joan Jett - Lita Ford - Cherie Currie fica fácil para qualquer cara que curta rock gostar (e muito) dessa banda. Formada em Hollywood, em meados dos anos 70, com todas as integrantes beirando seus 16 anos (ai, ai...) e produzidas pelo grande Kim Fowley, elas gravaram três discos em três anos.

Mas esse álbum em especial eu acho fantástico (tenho também em vinil). A começar pela a capa e contra capa, aonde elas estão mais lindas do que nunca. E em sequências maravilhosas... um disco que tem músicas como a própria Queens Of Noise, Born To The Bad, I Love Playin' With Fire, California Paradise e a perfeita Johnny Guitar merece um lugar de destaque aqui no blog. Pena que elas não sejam tão conhecidas aqui no Brasil. A única que ainda tem algum destaque está abaixo também.

 JOAN JETT - Bad Reputation (1981)

Ela foi um tanto quanto deixada em segundo plano graças ao apelo sexual fortíssimo que a Cherie Currie tinha no Runaways. Quando a banda acabou, todos conseguiram perceber quem realmente seguraça a força da banda. Isso mesmo, a grande Joan Jett !

O seu debut em vinil não poderia ter sido melhor: rock and roll simples, de qualidade e com uma banda (só de homens, por sinal) muito competente. Esse disco já abre com a espetacular Bad Reputation (o clip rolava na MTV quase sempre. Ainda quando eles passavam clips...), segue com a espetacular cover de Lesley Gore, You Don't Own Me (para mim um dos pontos altos do álbum, e uma música que sempre quis tocar), chega até a Too Bad On Your Birthday, depois também por outra cover, agora do Gary Glitter, Do You Wanna Touch Me?. Até o final do lado 2 mais maravilhas como Shout, Jezebel e Don't Abuse Me. O CD ainda traz algumas faixas bônus fantásticas como Call Me Lightning e Summertime Blues.

É isso... depois nos anos 80 muitas seguiram essa trilha, mas também é outra história. Para começar a curtir, esses três discos são uma ótima pedida.

Abraços

Fernando

(Post #12, Ano I)

Opa,

Hoje posto aqui um disco clássico dos anos 80. Não... nenhuma daquelas podreiras 'trash' não, muito pelo contrário...

 

GUN'S AND ROSES - Appetite for Destruction (1987) - Geffen

O rock no meio dos anos 80 se resumia a cabelos cheios de laquê, roupas bufantes e coloridas e um som pra lá de farofa. Nisso podemos incluir ícones roqueiros de atitude dos anos 70, como Kiss e Whitesnake, além de 'pérolas' novas na época, como Bon Jovi e Poison. No meio de tudo isso, aonde a imagem era essencial, apareceu essa banda, com integrantes maltrapilhos, letras sujas, politicamente incorretos e rock and roll de verdade, de atitude, sem frescuras! (Vide a capa acima, do LP americano, já que a capa original foi proibida por nos remeter a um estupro. Foi a capa lançada no Brasil)

Liderados pelo mala Axl Rose e pelo seboso Slash, eles foram responsáveis pelo ressurgimento do rock. Algo parecido (e guardadas as devidas proporções, por gentileza) com o que os Sex Pistols fizeram em 77. Um choque, que foi responsável pela criação de novas bandas que estavam só preocupadas em se divertir e nem esquentar com o mundo ou com sua imagem.

Esse disco é obrigatório para todos os que curtem uma bela sequência de músicas. Foi um dos melhores debuts da história da música. A pauleira começa com e perfeita Welcome To The Jungle, e seu clip melhor ainda. A sequência matadora do lado A continua com It's So Easy, Nightrain, Out Ta Get Me, Mr.Brownstone e fecha o lado com o hino Paradise City.

O lado B se inicia com My Michelle, passa pela fantástica Think About You (adoro tocar essa música), chega numa das músicas mais tocadas nas festinhas da época e presença obrigatórias em listas de melhores músicas de todos os tempos, Sweet Child O'Mine. A trinca final é para abrir roda e se bater até cair: You're Crazy, Anything Goes e Rocket Queen. Sublime!

Conheci esse disco no começo de 1988, num especial de TV, mais precisamente na TV Manchete (vix!), que se chamava 'Armas e Rosas' e passou duas horas de clips dos caras. Para um moleque de 12 anos aquilo foi tudo. Na semana seguinte já tinha comprado o vinil, e gravado uma fitinha (que tenho até hoje) que ouvi durante períodos bem legais da minha infância.

Depois o Gun's conquistou o mundo em definitivo com o Use Your Illusion I e II, mas aí já é outra história.

Falô

Fernando

(Post #11, Ano I)

Ghsgdh,

Nesses últimos tempos aconteceram algumas neuras comuns a qualquer um (leia o The Jenniffers' Blog para mais informações). Nessa hora não adianta você colocar na vitrolinha um disco do Radiohead, Kraftwerk ou do Velvet Underground, porque senão você se mata antes da faixa 2 tocar. Então hoje eu coloco aqui um remédio que é tiro e queda para esses momentos taciturnos, e sugiro um bom remédio em dose tripla. Com esses não tem jeito, você melhora na hora!

 GO-GO'S - Beauty And The Beat (1981) - IRS Records

 GO-GO'S - Vacation (1982) - IRS Records.

 GO-GO'S - Talk Show (1984) - IRS Records

Essas 5 garotas (Belinda Carlisle (gatíssima), Gina Shock, Jane Wiedlin, Charlotte Caffey, Kathy Valentine) ainda conseguem me deixar um pouqiinho mais feliz cada vez que escuto algum dos discos acima. Recomendadíssimos, até hoje elas são deusas nos EUA, só aqui mesmo que ninguém conhece direito essas beldades, e ainda detonam as meninas pela participação que elas tiveram no primeiro Rock in Rio, em 1985.

No começo, elas eram uma banda punk, mas foram 'acalmando' com o tempo, até aparecerem de vez no cenário musical num dos melhores exemplos de como a música pop pode ser fantástica, sem ser algo pejorativo.

Todos os três discos tem clássicos absolutos, com melodias incríveis e letras que, por mais que não nos fazem refletir sobre questões existenciais, nos fazem querer aproveitar essa vida ao máximo. O primeiro disco é de 1981, chegou ao primeiro lugar nas paradas, e tem clássicos como Our Lips Are Sealed (que tem um clip maravilhoso, e elas mais lindas que nunca), Tonite, Lust To Love (adoro essa), We Got The Beat (que tocava na abertura do clássico adoslescente dos anos 80 Picardias Estudantis, ou Fast Times At Ridgemond High) e Skidmarks In My Heart.

O segundo disco, Vacation, é de 1982, e apostou na mesma fórmula que consagrou o primeiro. Mas ao contrário do que acontece normalmente, elas conseguiram exatamente o mesmo sucesso, levando o disco também ao primeiro lugar. Nesse LP tem as músicas Vacation (também com um belo clip, com a baterista Gina Shock lindíssima), Girl Of 100 Lists (com uma letra fútil, mas que com elas virou fantástica), Cool Jerk e a fantástica balada Worlds Away (muita gente deve ter dançado isso nos 80's).

O terceiro disco foi um fecho de ouro da primeira parte da carreira delas. O disco chama você para sair dançando por aí. Ele abre com a perfeita Head Over Heels, com sua guitarra pop, e a linha de teclado marcante, quando você percebe, está no meio de uma faixa do mais puro rock and roll. Tem até um mini-solo de teclado e um break de baixo-bateria, todo o tipo de coisas que nos fazem felizes.

Logo em seguida vem a maravilhosa Turn To You, que é uma da série que gostaria de ter escrito, Forget That Day, uma lamentação sobre um amor perdido ("I knew I'd lost my heart/But I just said I hate heights"), Yes Or No, I'm The Only One e a balada I'm With You, que é uma das coisas mais lindas que já escutei nos anos 80 ("I'm with you/ Hold me in your heart/ Keep the fire strong/ Without you/ Our love goes on and on"), simples, mas mais claro impossível, com uma mensagem extremamente poderosa.

Depois tivemos várias bandas femininas, com várias dignas de nota, mas as Go-Go's tem o poder de tornar a vida mais alegre, mais feliz, mais alto-astral, e hoje em dia, não é qualquer um que consegue.

Abraços

Fernando

(Post #10, Ano I)

Fala povo!

Hoje posto aqui o que considero um dos melhores (senão o melhor) disco ao vivo de todos os tempos. A primeira vez que ouvi esse disco, na casa de um amigo, foi crucial para que eu quisesse formar uma banda de rock, e para que eu entendesse de uma forma mais clara, o poder das bandas quando tocam ao vivo.

 KISS - Alive II (1977) - Casablanca

Tá, tudo bem que tem muita gente que considera o primeiro Alive! (1975), e que teve como base os fantásticos discos: Kiss (1974), Hotter Than Hell (1974) e Dressed to Kill (1975), bem melhor que esse. Mas eu fico com o Alive II! mesmo, ele tem os requisitos básicos para uma aula de rock ao vivo: Um público alucinado, shows pirotécnicos e efeitos especiais e uma banda pra lá de afiada.

Com repertório baseado na trilogia Destroyer (1976), Rock And Roll Over (1976) e Love Gun (1976) (uma bela trilogia por sinal), eles mostram o porquê de todo o sucesso que conseguiram nos anos 70. Uma trilha bem escolhida, que soa atual ainda nos dias de hoje, com músicas que, praticamente, viraram hinos para quem gosta de rock.

O primeiro lado é uma paulada só: Começa com a Detroit Rock City (com seu refrão que todo mundo canta junto), passa pela King Of The Night Time World (uma música injustiçada do Kiss, acredito que seja uma das melhores dos caras), e chega no fim do Lado 1 com Ladies Room, Makin' Love e Love Gun, todas com velocidade acima do normal, e um punch perfeito. O lado 2 vem com Calling Dr.Love, Christine Sixteen, Shock Me (com direito a um grande solo do Ace Frehley), a graaande Hard Luck Woman, e uma tentativa de reeditar a Rock And Roll All Nite, com a Tomorrow And Tonight.

O lado 3 é uma aula de rock: I Stole Your Love (grande música, Top 5 dos caras), Beth, God Of Thunder (com o Gene Simmons babando em tudo), I Want You e o grand-finale Shout It Out Loud, um dos maiores hinos da história do rock. Ainda por cima, temos o lado 4 que é de estúdio, e ele não perde o pique do resto do disco, com as ótimas All American Man, Larger Than Life e uma cover do Dave Clark Five, Any Way You Want It.

Escutei esse disco em 1988, com 12 anos e tenho o vinil original comprado na galeria por 15 dólares (é... na época que lá só aceitava dólar, faz tempo!). Uma das razões que me fez querer ter uma banda foi ter escutado esse vinil. Tenho todas as falas decoradas aré hoje...

É isso, se quiserem ouvir um belo disco ao vivo, essa é uma bela sugestão

Abraços

I Cant' Get Enough Of Your Love

(Post #9, Ano I)

Opa,

A dica de hoje considero essencial para quem curte um bom rock. Pena que esse cara, e sua respectiva ex-banda não sejam tão conhecidos no Brasil, a ponto de ter outro grupo hoje em dia de música eletrônica (!) com o mesmo nome. Meu irmão só conhece os atuais, que heresia!

 BAD COMPANY - Bad Company (1974) - Swan Song

Esse é o primeiro disco do BAD COMPANY (nome baseado no ótimo filme homônimo de 1972, dirigido por Robert benton), que tinha na sua formação Boz Burrell no baixo, Simon Kirke (ex-Free) na batera, Mick Ralphs na guitarra (ex-Mott The Hoople) e o grande e fantástico Paul Rodgers no vocal (outro ex-Free).

A voz do Paul Rodgers vale um capítulo à parte, poucas vezes eu vi um cara com uma voz tão potente que nem ele. Ele foi um dos vocalistas mais impressionantes que surgiu nos anos 70 e continua na ativa até hoje (já veio até para o Brasil, show que por extrema burrice eu fiz questão de perder!).

O disco vale nota 10, com hinos que com certeza você já ouviu em algum lugar, mas não sabe quem cantava a música. Aqui temos canções do tipo de 'Can't Get Enough' e 'Movin'On', que apesar de serem algo que já tinham feito antes, nesse LP tinham um ar extremamente atualizado (e que continua assim até nossos dias). A grande 'Ready For Love', com seu refrão fantástico. A própria 'Bad Company', um hino que sempre entra na minha lista de músicas que adoraria ter feito (essa sempre pinta na Kiss FM).

E a melhor música do disco, 'Don't Let Me Down', com uma linha de sax genial, um refrão marcante e um resultado acima (demais) da média. Vale para você começar a tocar por causa dessa música!

Pena que ninguém no Brasil saiba direito o que significa essa banda para o mundo, e o que o Paul Rodgers significa para a música! (Se bem que com o gosto estragado da maioria do povo, eles não iriam entender o que significa mesmo)

Por hoje é isso...

Abraços

Hey! Ho! Let's Go!

(Post #8, Ano IV)

Fala...

escutei ontem e hoje durante todo o dia, um disco que me deixa inspiradíssimo. Um disco perfeito para tirar todos os móveis da sala e abrir uma roda com o pessoal até o dia raiar. Um disco que me inspira no dia-a-dia. Seguindo a dica da grande Lady Rocket, posto aqui uma ótima sugestão:

 THE RAMONES - The Ramones (1st album) (1976)

Todos já sabem a história da banda, oriunda de Manhattan e presença obrigatória no CBGB's nos meados dos anos 70. Mas escuto por aí sempre, que o melhor disco da banda é o Rocket To Russia (1977). Tudo bem, é um puta disco, mas para mim o preferido é esse, o primeiro álbum lançado pelo quarteto nova-iorquino.

Esse LP tem a melhor sequência de músicas clássicas do Ramones já gravada: Abrindo com a genial Blitzkrieg Bop, passando pela Beat On The Brat, I Wanna Be Your Boyfriend, Chainsaw (adorooo essa), Now I Wanna Sniff Some Glue, I Don't Wanna Go To The Basement, Havana Affair (que valeu cover do Red Hot, e acho muito boa), 53rd & 3rd e Today Your Love, Tomorrow The World, (fechando o disco com chave de ouro) entre outras. Uma porrada atrás da outra, uma aula de música pura e simples (os famosos 'três acordes'), mas simplesmente rock, sem frescura.

Acredito que o rock tenha meio que 'ressucitado' nos anos 70 devido a esses caras. Através deles que a Inglaterra colocou o verdadeiro rock de verdade nas paradas novamente, com bandas como Sex Pistols e Clash. Mas todas beberam da mesma fonte, os Ramones.

Pena que tenha perdido TODOS os 654 shows deles aqui no Brasil, me arrependo até hoje.

Abraços e até mais.

(Post #7, Ano I)

Opa,

Durante esses dias tenho escutado muito alguns CDs em especial. Eles fazem parte de um BOX SET lançado em 1998, e para mim, uma das melhores coletâneas da história, e um dos 10 Cds mais tocados em todos os tempos na minha casa. Sou suspeito para falar dessa caixa, para mim são clássicos supremos da cultura pop do período de 65 até 68: A 'Era de Ouro' do 'indie rock' nos Estados Unidos.

 VÁRIOS - Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era, 1965-1968 (1998) - Rhino

O LP original com 27 faixas, intitulado Nuggets, foi lançado em 1972, por Lenny Kaye. A idéia era mostrar (e salvar do esquecimento) uma quantidade de 'one-hit wonders' e deixá-las como um registro para a posteridade. Para muitas crianças e adolescentes na época, o LP foi como uma revelação, uma inspiração crucial para o movimento punk que surgiu alguns anos depois. Se bem que vale o registro: Não temos, musicalmente falando, influências diretas nas músicas da fase '77 do punk. Se quisermos encontrar as influências de uma forma direta e clara, elas são facilmente identificadas na leva de banda do começo dos anos 80, como Black Flag, the Meat Puppets, Husker Du, the Minutemen e Sonic Youth.

A Rhino lançou esse LP em CD no começo dos anos 80, e em 1998, o lançou numa BOX SET de 4 CDs, num total de 118 músicas. Todas FANTÁSTICAS e altamente recomendadas pelo que vos escreve. Mas prestem atenção em algumas em especial, as minhas preferidas, num Top 15 de respeito:

  1. Lies - The Knickerbockers (Beatles, safra 65 puro),
  2. Pushin' Too Hard -The Seeds (Grande Sky Saxon, essa até arrepia),
  3. An Invitation To Cry - The Magicians,
  4. Time Won't Let Me - The Outsiders,
  5. Outside Chance - The Turtles (graaande música, uma das que gostaria que eu tivesse escrito),
  6. Live - The Merry-Go-Round (fantástica, letra genial e valeu cover das Bangles nos anos 80),
  7. Fight Fire - The Golliwogs (um grupo mais tarde conhecido por Creedence Clearwater Revival),
  8. Follow Me - Lyme & Cibelle,
  9. Put The Clock Back On The Wall - The E-Types (perfeita, um exemplo de canção pop, no melhor sentido da palavra),
  10. A Question Of Temperature - The Balloon Farm,
  11. Louie, Louie - The Kingsmen (genial),
  12. Stop-Get A Ticket - Clefs of a Lavender Hill,
  13. Nobody But Me - The Human Beinz (maravilhosa, tenho o compacto original dessa aqui),
  14. Going All The Way - The Squires,
  15. (We Ain't Got) Nothin' Yet - The Blues Maggoos (a base da Black Night do Purple),

Vale a conferida, e as músicas estão sempre na net para baixar. Se tivesse que escolher alguns CDs para tocar em banda cover, esses daqui seriam os primeiríssimos da lista.

Valeu,

(Post #6, Ano I)

Fala, cambada!

Hoje vou postar aqui algo da minha época, algo que tem tudo a ver com meu crescimento, com a minha formação musical. Pois apesar de escutar Beatles, Stones e Monkees desde que nasci, a música da MINHA época era bem interessante também:

 VÁRIOS - Classic MTV: Class of 1983 - Rhino Records

Essa coletânea marca o primeiro ano COMPLETO de recordações na minha vida. Tudo bem que o marco zero para mim foi julho de 82, na Copa da Espanha, mas de verdade mesmo, o que me marcou foi o ano de 83. Aconteceram várias mudanças, em todos os sentidos. Logo, a maioria das músicas que estão nesse CD me fazem lembrar desses tempos tão legais, que não voltam mais.

Tudo bem que tem algumas músicas que não lembrava, mas a maioria são clássicos. Vê se não é tudo música que vocês conhecem:

She Blinded Me With Science (Thomas Dolby, com clip tosqueira e tudo), Mirror Man (Human League, adoro essa música, e gosto bastante dessa banda também), China Girl (David Bowie), Rock This Town (Stray Cats), True (Spandau Ballet, balada obrigatória em TODOS os bailinhos da época), Our House (Madness, genial), Back On The Chain Gang (Pretenders, com um clip mais legal ainda), Talking In Your Sleep (The Romantics), Do You Really Want To Hurt Me (Culture Club, mais afetado impossível) e a genial In A Big Country (do Big Country, clip superprodução, a là James Bond - e vale o registro que eu nem sabia que o vocalista do Big Country, Stuart Anderson, tinha morrido em 2001. Que péssimo...).

O CD é duplo e você ainda encontra em lojas virtuais por aí. São 30 músicas, uma melhor que a outra. Toda vez que escuto, não tem como ficar parado, e não tem como também não recordar do tempo em que a vida era mais fácil.

Abraços

(Post #5, Ano I)

Ghsagsh,

Passando aqui, resolvi postar mais uma dica de boa música para vocês, as felizes almas que acessam o blog:

 BEACH BOYS - Live at Knebworth 1980 (2003) - ST2 Music

Esse disco foi lançado agora em 2003, e mostra a última apresentação da história do Beach Boys como sexteto. O show aconteceu em 21 de junho de 1980, no Knebworth Park, em Hertfordshire, Reino Unido. Três anos depois, em 1983, Dennis Wilson morreria afogado na costa da California, e em 1998 o grande Carl Wilson morreria de câncer.

A apresentação é fantástica: Desde a abertura do show, com California Girls, passando por clássicos como Sloop John B, God Only Knows, Keepin' The Summer Alive (essa é uma das melhores!), I Get Around e Good Vibrations (não tem como não se emocionar com essa parte, na hora em que TODA a platéia canta junto o refrão da música... até arrepia), até o grande encerramento com Barbara Ann e Fun Fun Fun, temos 20 músicas que nos ajudam a entender porque eles são tão influentes na música até hoje, e o porquê do Brian Wilson ser um gênio da história do rock.

Como esse CD também está disponível em DVD, vale prestar atenção nas partes em que o Dennis toca a bateria com a baqueta invertida, quebrando tudo; O grande estilo, e a presença fantástica do Carl Wilson, e perceber claramente o ótimo clima entre eles. (E a fantástica presença do Brian Wilson, mesmo detonado, mandando bem).

Ainda falarei de discos específicos dos caras, mas esse é ótimo para quem ainda não se iniciou nesse som...

Abraços, e até a próxima!

(Post #4, Ano I)

Opa,

Esse post era para ter entrado aqui no blog na última quinta e na última sexta-feira, mas nas duas vezes deu erro, e eu acabei o final-de-semana sem paciência para escrever tudo de novo. Hoje, com pilhas recarregadas, tento postar de novo.

Nos últimos dias, tenho escutado dois disquinhos em especial: Um das antigas, e outro mais novo. Um nada a ver com o outro, mas vale a pena ter os dois, então essa é a dica do dia:

 JOHN ENTWISTLE - Too Late The Hero (1981) - WEA

É, o maior baixista da história do rock tinha que estar por aqui: John Entwistle, baixista do Who! falecido em 2002, tem uma carreira solo fantástica, com clássicos absolutos, mas considero esse LP em especial, obrigatório para qualquer um que curta boa música.

O disco foi gravado como um power-trio (com ele, o Jow Walsh na guitarra e o Joe Vitale na bateria), e tem músicas que não me canso de ouvir, nem colocando várias vezes em sequência: Try Me (uma metáfora sobre as drogas: 'Try me, I could be all that you need to get high, I could not promise to teach you to fly...', Lovebird, Love Is A Heart Attack, Dancin' Master (com um dos melhores solos de baixo dele), I'm Comin' Back e a maravilhosa música-título do disco (em tempo, teve uma época que a MTV passava esse clip direto. Um clip genial, com cenários iguais à capa do LP).

Vale a compra, pena que não tenha saído em CD nacional, mas algumas doletinhas são pouco para o que esse disco representa.

 THROWING MUSES - Limbo (1996) - Rykodisc USA

Adoro essa banda. Uma das precurssoras do rock 'indie', que começou a ganhar espaço nos EUA no início dos anos 80. Com os vocais fantásticos da Kristin Hersh e a bela Tanya Donnelly, esse disco (o último da banda) é muuuito bom.

Um dos poucos discos também que não me canso de escutar, tem as músicas Buzz, Tar Kissers e Tango como as minhas preferidas. Pena que a banda acabou em 1997. Mas as duas principais integrantes possuem uma bela carreira solo, que também vale a conferida.

Bom, por hoje é isso, podem procurar pelas canções na net, não se arrependerão.

Abraços

(Post #3, Ano I)

Fala povo!!!

Nesses últimos tempos tenho escutado bastante The Who!, como há muito tempo não ouvia. Sou suspeito para falar dos caras, para mim eles não tem nenhum disco ruim, todos são muito bons, uns mais, ouns menos.

Mas sábado e domingo, escutei sem parar um disco em especial:

 THE WHO! - A Quick One (1966) - MCA

Esse disco mostra uma fase única na carreira do Who!: Eles já não estavam mais no mesmo esquema do disco anterior (The Who Sings My Generation! (1965) ), deixando de lado a influência R&B que marcavam o primeiro LP. E estavam preparando o campo para o álbum seguinte (The Who Sell Out! (1967) ), aonde mostrariam como alcançar o topo da música pop.

O disco abre com a ótima 'Run, Run, Run', rockão ferrado, com uma base incrível de guitarra e vocais fantásticos.  Depois temos pérolas como 'Boris, The Spider', 'Whiskey Man' (as duas do John Entwistle); 'Cobwebs and Strange', ótima faixa experimental-instrumental do Keith Moon; 'So Sad About Us' (um hino para mim) e uma mini-ópera-rock genial: 'A Quick One (While He's Away)'.

O LP original contava com 10 faixas, mas na re-edição em CD, o número de músicas dobrou, com a inclusão do fantástico EP 'Ready Steady Who!'. Com isso temos mais algumas preciosidades como: 'Doctor, Doctor' (uma das minhas preferidas do Who!), 'In The City' e 'Happy Jack' (vale o registro que Happy Jack foi o nome do LP lançado nos EUA). Tudo isso até o apoteótico final do CD em 'My Generation / Land Of Hope And Glory'.

Esse, com certeza, é um dos discos do Who! menos conhecidos do povo, mas vale a procura, eu o considero um dos melhores exemplos de música pop já registrados nos meados dos anos 60.

A dica de hoje é essa, até a próxima!

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