#24
Opa,
Nossa... como fazia tempo que não aparecia por aqui! Vida corrida e muita canseira me impediram de aparecer, mas prometo que não sumo mais... Nesses últimos meses ouvi N coisas, graças à nossa queria internet, já que virei rato de sites de downloads de músicas. Nessas viagens, consegui escutar algo que só tinha conhecimento por leituras e poucas músicas jogadas em coletâneas. Algo que os mais desavisados não conseguem ligar o nome à pessoa... e algo que é extremamente esquecido - de forma injusta - na música brasileira.
RONNIE VON - Ronnie Von (1968)
RONNIE VON - A Misteriosa Luta do Reino do Parassempre contra o IMpério dos Nuncamais (1969)
RONNIE VON - A Máquina Voadora (1970) (contra-capa)
Isso mesmo, essas pérolas perdidas da música brasileira são obra do grande Ronnie Von. Aquele mesmo que hoje tem jeito de um senhor sóbrio e que é apresentador de programas na TV. O que ninguém sabe é que ele foi capaz de juntar psicodelia, rock, música brasileira, melodias fantásticas e viagens sonoras nunca vistas na nossa música.
Temos que colocar esses discos dentro do contexto histórico da carreira do rapaz. Nos meados dos anos 60, pertencente à classe média, ele fez sucesso com covers e canções ingênuas - longe de serem ruins - que o marcaram como um rostinho bonito na Jovem Guarda. A guinada da carreira dele se fez com a aquisição de uma bela bagagem musical. Na primeira chance de fazer algo que realmente fosse o que gostasse ele gravou um disco que é simplesmente essencial e magistral, o homônimo Ronnie Von, de 1968. Já na capa vemos uma imagem um tanto quanto lisérgica com uma foto dele com o peito nu, rompendo com a imagem que tinha antes.
Para quem ouve o disco, vemos claramente influências de gente como o Frank Zappa - via a inserção Telephone Conversation, do disco We're Only In It For Money - na faixa Anarquia, quando é reproduzida uma surreal conversa pelo telefone. Também é clara a influência do The Who - na abertura com o jingle do Bar Íris, já visto coisa parecida no The Who Sell Out - e do Jimi Hendrix - com as guitarras fantasticamente distorcidas e pesadas - na genial Silvia: 20 Horas, domingo. Mais músicas marcam o LP: Espelhos Quebrados, Tristeza Num Dia Alegre e Canto de Despedida.
O público acaboou não entendendo, e para as fãs, que esperavam um disco parecido com os anteriores foi um choque extremo. Mas fazendo algo autêntico e que sempre quis fazer, ele continuou com essa fase experimental. O próximo LP, também de 1969, nos trouxe músicas como Atlândida - cover da Atlantis do Donovan e co-escrita pela Rita Lee - Dindi, a genial De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-me De Volta A Alfa de Centauro, Meu Verdadeiro Lar, Por Quem Sonha Ana Maria e a versão do Stevie Wonder, My Cherie Amour.
De novo sendo um fracasso comercial, ainda tivemos o lançamento do ótimo A Máquina Voadora em 1970, já demonstrando que aquele poderia ser o último LP da, digamos assim, "trilogia" psicodélica do Ronnie. Com músicas geniais, esse é diferente dos demais, e mostra ainda uma ótima forma. Músicas como A Máquina Voadora, Continentes E Civilizações (bem parecida com a Atlantis já mencionada), Tema De Alessandra, a genial e fantástica Viva O Chopp Escuro e a ótima O Verão Nos Chama são mostras que o disco é indispensável.
Pena que depois ele tenha visto que com tantos fracassos de público não adiantava fazer mais discos assim e tenha abandonado essa vertente. "Nunca mais fiz discos que gostei, só os gravei para cumprir contratos", disse Ronnie alguma vez por aí. Uma pena, e mais pena ainda saber que discos como esses não possuem o lugar que merecem na história do rock nacional. Acredito que nem os Mutantes tenham feito discos parecidos com esses...
Baixem... sem dó nem piedade, e verão que esses LPs são absurdamente geniais...
Por hoje é só...
Fernando
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